A força do circo no imaginário de uma criança

Em 1961 aportou uma trupe de circo em frente à minha casa…..
Era um circo grande: Circo Pan-americano…..
Eram como ciganos: tinham tendas que eles armavam e as grandes vedetes e o dono tinham traillers americanos (novidades na época)…
Para mim tudo era um sonho…….
O movimento era grande, aquela vida era a vida que eu queria……
Armar a grande tenda que era o circo propriamente dito, era um trabalho árduo e demandavam muitos operários….
.A trupe circense era formada por malabaristas, dançarinos, trapezistas, equilibristas, palhaços, vedetes, orquestra, etc…
Minha mãe, aberta ao mundo, logo fez amizade com todos e alguns deles-delas não saiam lá de casa, comiam; ensaiavam no quintal; lavavam e estendiam roupas….Os varais tinham um brilho e uma cor que me extasiava.
A gente ia à noite nas tendas e jantávamos com eles, como em acampamentos ciganos..
Eles tinham sotaque, acho hoje que forçado, mas era tudo muito lindo, era pura fantasia…
Claro, ganhávamos ingressos, mas eu preferia, usar do pequeno tamanho e passar debaixo da lona, mesmo conhecendo todos os vigias e a trupe…..
Foi um estágio no céu!
Um dia, num sábado à noite (  criança não podia ir de jeito nenhum. mas esse dia eu ia com mais prazer- escondido, rente á lona) teve um show com Emilinha Borba- A Favorita da Marinha.
Lembro do vestido dela cheio de estrelinhas que brilhavam e tenho certeza que ela mandou um beijo para mim, ali , escondidinho…
Adorava as mulheres que se penduravam no ar , presas pelas pernas por cordas coloridas e faziam uma dança linda com orquestra ao vivo..
Usavam o que hoje chamam de meia arrastão todas bordadas de brilhos. Elas almoçavam lá em casa: Flor de Maio e Liliane e me enchiam de beijos. Eu as olhava no ar, ao som daquela música linda e imaginava de no dia seguinte perguntar como era lá em cima..
As roupas delas eram lindas!!!!
Adorava o táxi maluco no final, onde saiam água dos chapéus dos palhaços e palhaças ( tinham mulheres palhaças) molhando as crianças, que vibravam…..
Adorava tudo, principalmente, quando todos os artistas, apresentavam-se juntos no final do espetáculo ( artista de circo levanta os braços e dão uma torcidinha neles-na altura da munheca- para pedir aplausos- achava lindo) e cantavam: “Deus Salve a América”, chegando bem perto do público e incentivando-nos a cantar, nunca esqueci a letra:
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Deus salve a América!
Terra de Amor!
Verdes mares, florestas,
lindos campos abertos em flor.
Berço amigo da bonança,
da esperança o altar,
Deus salve a América
meu céu, meu lar.
Deus salve a América
meu céu, meu lar.
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Um dia eles foram embora, todos choramos muito…..
Eles tinham feito amizade com muitas pessoas do bairro, principalmente em minha casa…..
Deixaram presentes para nós, roupas de circo etc
Mas deixaram algo que nunca saiu de minha memória: a alegria, a cor, a fantasia, o brilho, a trupe, a liberdade, a música, o sonho………
Deus Salve a América !!!!!!
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Março: Guerra, semeadura e colheita

Março: Guerra, semeadura e colheita

Bem vindo Março!!!!!!!

Você chega com o fim do carnaval, com as cinzas do que foi queimado, TRANSMUTADO!
Seu nome vem de Marte, o deus romano da guerra e da agricultura…..
Isso nos leva a pensar n’outra conotação para a guerra…..
Guerra no sentido de lutar, de conquistar o que nos foi roubado, retirado; do que legitimamente nos pertence e re-significar.
Como semear um novo campo\tempo……
Refazer nosso espaço……..
Um (a) guerreador (a) nato (a), não admite desa-foro…
Lembrar que foro significa lugar, espaço e não podemos permitir que nos tirem o lugar…
Desa-foro é tirar o lugar, é fazer deposição…..
Todos temos direito a um lugar, tanto na materialidade quanto na imaterialidade…..
Alguns (as) precisam, urgem ser depostos (as); pois seu lugar interfere de forma profundamente danosa no “lugar” ( no foro) de muitos (as)……
Isso é o sentido da guerra; esse é o sentido da semeadura\colheita (agricultura)…..
Em março o povo promete reunir-se num domingo; numa GRANDE MOBILIZAÇÃO por tanto desa-foro…….
Chega!
Achegue-se Março com toda sua força de guerreador (a), com sua arte marcial, você que começa em Peixes e termina em Áries….
Começa no signo da espiritualidade, da perda do ego e termina no signo do “ponta de lança”, do abre alas, do impulso criador, do re-começo…….
No seu dia 8 comemora-se a Mulher, essa guerreira com aparência, muitas vezes frágil, que tem verdadeiramente mudado o mundo à sua volta; dotada de compaixão e acolhimento, quando se é uma mulher saudável e existem muitas mulheres saudáveis no planeta.
Graças à elas; que sabem que o Deus homem é invenção do homem……..
No seu dia 21 temos um belo equinócio; primavera no hemisfério Norte: fim da escuridão, da excessiva friagem, desabrochar da vida, das flores…
Aqui no pedaço Sul temos as águas de Março que fecham o verão (“promessa de vida em meu coração”), a chuva das goiabas, perto do dia de São José; carpinteiro- super “na dele”- que foi o pai do profeta Jesus. ……
Começa o outono…..Em algumas partes do Brasil sente-se essa estação bem mais evidente
Março é versátil……
É sonhador, tem parte com Netuno……
Se juntarmos o sonho com ação; o sonho de Peixes com a ação de Áries; esses dois signos que povoam Março; isso pode resultar em coisa boa……Propício!
Em Boa Nova!
Serve para semear quanto para colher…..
Bem vindo Março; venha nos recordar do Bom Combate, temos estado tão turbados e perplexos com tanto desa-foro que nos falta AÇÃO……
Ação marciana, ação firme para lutar, garantir e assegurar nosso espaço, tanto na Terra, quanto no âmago da vida, que insiste\persevera em AGIR em nós, independente do mês…..
Bem Vindo Março!

 

  • “Viaje” nas 3 ilustrações abaixo

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Estudar a si mesmo e o mundo à sua volta – recontando sua história para si mesmo…….

Além das consultas individuais tanto presenciais quanto por telefone (para todo o Brasil); estou iniciando uma série de workshops (oficinas de auto conhecimento).
Essas oficinas acontecerão em Belo Horizonte ou em qualquer cidade brasileira onde ser possam ser produzidas.
A sugestão é que essa primeira parte possa ser realizada num sábado o dia inteiro (com os devidos e merecidos intervalos) e domingo até 13 h.
É um trabalho atualizado, onde refletiremos temas dos mais contemporâneos e instigantes; e que, sintetizam uma experiência de “facilitação” de grupos iniciada em 1978…..
Qualquer dúvida e\ou esclarecimento sobre esse trabalho, por favor, pelo e-mail: hercoles@uai.com.brimage001
Quem já participou, caso queria, deixe sua impressão……

Encontro de Reflexões e Vivências para uma pessoa contemporânea – do estranhamento à alegria\gratidão.

* aberto à qualquer pessoa acima de 18 anos que queira se estudar mais e o mundo à sua volta….

“Tentei de tudo para não envergonhar a criança que um dia eu fui”- Saramago

Temas:
– O que está acontecendo comigo e com o mundo à minha volta? De onde veio, onde está e para onde está se encaminhando a pessoa humana?
– Como é construída minha subjetividade? É de dentro para fora ou de fora para dentro?
– O que é de fato essa tão falada e decantada auto-estima?
– Auto sabotagem; inveja de si mesmo. Possibilidades de dissipar isso e viver em merecimento e gratidão.
– Vivências de relaxamento, criatividade, humor, alegria e contemplação

Coordenação\Facilitação:
Hércoles Jaci-
Psicólogo clínico formado em Junho de 1980
Mestre em Psicologia do Trabalho com ênfase em Subjetividade; Identidade e Análise do Discurso
Doutor Honoris Causa em Ciências da Saúde- outorgado por um pool de Universidades Internacionais em integração com a OMS- Organização Mundial de Saúde
Formação em Psicoterapia corporal de várias vertentes de 1975 a 2000
Formação em Terapia sistêmica no olhar individual, do casal e da família
Formação completa em Terapia e Didática com as Essencias Florais- de 1986 até hoje; coordenando a 1ª pós graduação- latu Senso no tema.
Formação e especialização em terapia do luto; técnicas terapêuticas com o paciente terminal e suas famílias.
Formação em Psicologia de emergências , desastres que envolvam pânico grupal\social….Acolhimento

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A vaidade na vida acadêmica- ação dos Ph-Phodas e a força de quem quer Saber

Esse texto, bem mais abaixo ( já que escrevi um preâmbulo maior que eu imaginava) é da  Rosana Pinheiro Machado; antropóloga e vinculada a Oxforf na Inglaterra.
Ele dá voz a algo que vivi quando “fiz” meu mestrado-2003\2004- e ao que ouço em consultório; a fala de mestrandos e doutorandos….. (às vezes fico aturdido pela gravidade dos fatos) …..
Ou de já doutores e mestres……
Quando iniciei meu mestrado, vivenciei uma situação que foi oposta à minha graduação.
Entrei na faculdade aos 18 anos ( era o mais novo da turma) e o mestrado comecei aos 47 anos ( era o mais velho)……
A minha percepção, claro, aos 47 anos era mais aguçada e madura do que quando aos 18 anos, calouro na faculdade….
Mas, tive uma iniciação na vida acadêmica, aos 47 anos; pois o rigor ali se estabelece e se aloja de forma mais contundente, já que o mestrado e o doutorado são Strictu Sensu e não Lato Sensu como numa pós. ou na graduação na qual a exigência científica é menor…
No início do Mestrado tive muitas dificuldades em aceitar o fato de não poder ter uma opinião livre e sem argumentação embasada; briguei muito com as Normas da ABNT e me senti tolhido…..
Incomodava-me um tanto o nível de competitividade de alguns (as) colegas, que ainda novos, não saboreavam o prazer da “colaboratividade” ( acredito que muitos não provarão dessa delícia nas próximas 4 vidas).
O primeiro mês no Mestrado foi um sofrimento só…..
E como eu estava um tanto maduro; o que mais entristecia. era a realidade de que era eu quem me havia matriculado na seleção de Mestrado (dificílima; até hoje não sei como fui aprovado); era eu quem quis iniciar essa empreitada; eu havia me colocado ali…
Eu vinha de uma longa jornada- mais de 25 anos- por grupos, workshops, maratonas de dança livre, desbloqueio corporal, florais; pesquisa em campo (Califórnia, Alaska, Deserto do Arizona, etc) de plantas curativas; de formação em terapia de família, morte, luto e espiritualidade; desenvolvimento do afeto; xamanismo e tantas coisas que uma ABNT(Associação Brasileira de Normas Técnicas) daria de “ombros” ou se pudesse mandava internar……..
Ao chegar no Mestrado senti toda a aridez, a competição do capitalismo selvagem ( apesar de belos discursos socialistas e até humanistas de muitos professores e alunos)…..
E fiquei muito triste…….
Era uma sensação interna de ter me matriculado no inferno…
Eu já não tinha pais e era eu quem decidia minha vida.
Isso me deixou num estado de “menino num colégio interno”, altamente angustiante pois nem menino eu era mais……
E, negritando: eu era quem tinha me matriculado ali….
Nessa primeira fase do Mestrado; eu tive uma professora que, no meu olhar e de vários colegas, que também estavam sendo iniciados num rigor científico ( saudosos de uma criança colegial ou adolescente de faculdade); era um trator acadêmico…….
Mas ela sabia muito; os textos eram de uma complexidade (apesar de “bárbaros”) mas a regressão que se instalou em muitos; nos cegava e nos amedrontava…
Ela era a configuração (na nossa percepção) de uma governanta alemã dos anos 40 que foi contratada para nos educar…..
E é interessante como agem pessoas que estão amedrontadas e naturalmente regredidas…….
Cega-se……
Blinda-se…..
E a percepção, a lucidez ficam opacas….
Tínhamos também uma outra professora de uma disciplina que a maioria abomina que é Metodologia da Pesquisa Científica, que coroada por muito preconceito e talvez por não ser apresentada com mais leveza; criava uma rejeição enorme associada a um forte: ” eu nunca vou aprender isso”……
Sempre, desde cedo, eu sempre nutri grande respeito por quem me ensinava….
Tive bons professores em minha vida estudantil e sempre tentava me aproximar deles com grande admiração.
Claro que muitos nunca “sacaram” meu sentimento porque não estavam preparados e\ou não sabiam da força desse lugar que ocupavam…..
Essa professora de Metodologia da Pesquisa Científica, apesar da disciplina que ministrava ser a priori “abominável “; era uma mulher; uma psicóloga de uma doçura, de um desprendimento, de uma “des-pretensão” tão raras naquele mundo, naquele fogaréu de vaidades…….
Um dia, ao terminar as aulas, saímos juntos e eu a acompanhei , conversando, até o estacionamento.
Ela me ofereceu carona até minha casa, ela desviaria um pouco de seu caminho; já que eu não morava tão longe assim da Faculdade….
Ao parar na porta da minha casa; ela se voltou para mim, antes de se despedir e disse, de uma forma doce e compreensiva: -Hércoles, percebo que vc não está feliz no mestrado…O que está acontecendo?
Essa pergunta e essa disponibilidade em me ouvir; foi coisa de Deus (fenômenos que a ABNT nunca alcançarão…..) pois, ao falar de tudo que me aturdia ( falando e me compreendendo pois a escuta faz isso); ali, a partir daquela noite, meu Mestrado começou….
Meu olhar mudou, as coisas mudaram…..
A outra professora; que víamos como governanta alemã, percebi, que de fato era uma gênia e sua “sisudez” era o jeito dela e todas as vezes que eu pedia sua ajuda em sala, era muito solícita e quando explicava, o fazia com a maestria de uma doutora, que defendera sua tese na Soubornne em francês…
Soube dessa história por outra pessoa que a conhecia e me disse do êxito que fora sua árdua vida acadêmica num local sagrado para a academia – a Soubornne….
Minha relação com ela mudou e hoje adoraria assistir a uma aula dela sobre Poder e política nas organizações, onde embasada em grandes estudiosos, abria nossas reflexões e percebíamos que éramos reféns de anos e anos de um pensar colonizado, curto, pouco aprofundado a que fomos “acondiconados”……
Também em outras situações, posto que fui aluno dela em mais disciplinas, senti sua generosidade que saia, à revelia dela, de sua postura muito séria…….
Uma vez ela riu muito de mim, quando fiz um aparte ( uma gracinha, adoro fazer!) e depois ela comentou que toda vez que lembrava do que disse, ria………
Uma outra professora me ajudou muito na questão de “achar” que na vida acadêmica não se pode ter opinião….
Ela lecionava uma disciplina que eu amava, já reconciliado com o mestrado; eu passei a “beber” das aulas e percebo agora escrevendo que, quanto mais deixamos transparecer nossa “embriaguez” a quem se “apresenta” para nós; seja um músico, um(a) cantor(a), um(a) bailarino(a), um professor, etc; mais esse profissional se entrega…..
Entrega o melhor
Essa professora nos pedia trabalhos escritos de cada aula, de cada artigo lido; para serem entregues na aula seguinte. resenhas acadêmicas.
No final da resenha, ela dava uma folga da ABNT e podíamos falar de forma mais livre-opinião…..
Essa palavra livre, para mim, significa “dar corda”; liberar e, minha mãe, que me “sacava” muito; sempre dizia:- Cês dão corda para esse menino; dão!
Numa dessas resenhas, que eu, particularmente gostava de fazer, pois os textos, a discplina eram fascinantes: Antropologia no ambiente de trabalho ou Cultura Organizacional ; na parte final onde nossa opinião, encantoada num canto (o pleonasmo é para fortalecer a idéia) podia se manifestar; falei dessa situação, a princípio repressora…
Também , como numa ação divina e determinante, essa professora me deu um “toque” que me valeu profundamente e foi a segunda salvação do meu mestrado.
Ela escreveu numa das resenhas (que ela sempre devolvia com nota e uma observação) que,admirava a forma criativa e rica que eu elaborava os meus textos, mas que, respondendo à uma “reclamação” minha da bendita\maldita ABNT; ela me disse algo que percebi que era um “pulo do gato” para a vida acadêmica: – Diga tudo que vc tem para dizer, para isso encontre autores (aceitos pela Academia e tem muitos) para que te “avalizem” e use as palavras que façam ressonância com o texto acadêmico, que, se sairmos fora da pirraça (isso eu percebi e adicionei ao que ela disse); também encontraremos……
Essa fala dela me foi corroborada por um mestre sufi contemporâneo que disse: -Dentro da cortesia espiritual e do amor, a gente pode tudo…..
Passei então, desvinculado da “pirraça” e imbuído que poderia falar tudo, que eu deveria “scanear”\batear mais autores, procurar aliados; alguém já deve ter falado o que penso; “alguéns” já abriram portas para mim e irei atrás dessas aberturas que legitimam meu pensar…..
O que essa professora me disse foi que, se eu quero que meu pensar seja acolhido e legitimado ele precisa ser expresso numa linguagem aceita……..
Ou seja, não adianta eu gritar por socorro numa cidade americana, tenho que gritar help…
É questão de linguagem; de expressão que pode chegar ou não!
O mestrado foi passando; eu, me encantando com muitas disciplinas ( no mestrado se chamam créditos); muitos trabalhos em grupo, que a princípio eu achava muito bom, mas , aos poucos, a questão da competitividade, a frieza, a falta de gratidão, do narcisismo que imperava entre muitos; eu desejei ardentemente chegar a hora no mestrado e no doutorado que muitos se arrepiam..
A solidão de escrever sozinho…..
O trabalho cooperado, de equipe ( e essas mesmas pessoas que tinham uma enorme dificuldade em trabalhar em equipe, apresentavam trabalhos que enchiam a boca ao falar E Q U I P E) e talvez nunca saberão o que fato É….
Como é difícil acontecer a co-laboração (laborar junto); o trabalho orquestrado, o concerto; como é difícil………
No final dos créditos que duram 4 semestres, bem árduo, com muito material para ler, muito trabalho só e em equipe a entregar; eu já estava mais familiarizado com o mestrado e feliz de descobrir um caminho mais meu, de aproveitar aquilo tudo que estava aparecendo para mim.
Já no final das disciplinas do mestrado; fiz duas matérias com uma professora que a princípio tive muita admiração; gostei de sua didática; os assuntos eram muito interessantes e ela valorizava muito tudo que eu apresentava; assim como aos colegas…..
Apresentávamos muitos trabalhos. como disse; individuais e em grupo.
Tínhamos que estudar muito, pois alguns temas ou autores, nós, ou o aluno (a) é que o “apresentaria” aos outros……
Era uma tarefa árdua…..
Tínhamos que estudar como um professor que, de fato introduziria uma teoria, um autor, uma proposta, e num nível de mestrado, que acarretaria mais profundidade….
Nesses trabalhos podia-se perceber a perversidade e a inveja de alguns colegas que formulavam perguntas e questionamentos para embaraçar o outro colega que se apresentava……..
Meu lado Woodstock que conheceu tanta beleza, sentia a tristeza e a pobreza ( miséria) nisso tudo……
Um dia, essa professora que eu disse anteriormente que admirava, me convidou , por gostar do jeito que eu me colocava didaticamente; a lecionar numa pós lato sensu, que ela coordenava, uma disciplina que eu adorava e que, para mim , eu deslizaria nela…..
Foi um rico trabalho com os alunos, apesar de já ter tido experiência como professor de pós ( lato sensu); ali era meu primeiro trabalho como mestrando….
Dei o meu melhor , criando com os alunos, situações em sala de aula, altamente enriquecedoras..
Aí comecei a perceber que meu sucesso, com os alunos do curso que ela era coordenadora geral, a incomodava…
Mas ela não era uma pessoa clara; eu sabia que ela tinha um relacionamento com uma pessoa de caráter duvidoso ( aliás de duvidoso não tinha nada, era evidente) e ela usava uma técnica com os alunos que ela coordenava (que eram muitos) extremamente perigosa: a sedução.
Fui percebendo que ela era uma pessoa de uma carência extrema, refém de um relacionamento destrutivo e só tinha a vida acadêmica para chamar de sua; parafraseando aquele roquinho dos anos 80.
Ainda como aluno dela, e trabalhando com ela lecionando no lato sensu; aconteceu uma situação que pude perceber que seu caráter também era fraco…..
Apresentei em grupo, mas quem fez o trabalho fui eu; com os colegas apenas formatando no computador, pois eu ainda não tinha essa intimidade com a máquina; trabalho esse que era fundamental para um mestrado que se preze: a apresentação da história, do que pensa um determinado filósofo, que é genial..
Esse seminário, que duraria 3 horas e teria um público grande para assistir, pois viriam pessoas de outras turmas; ficou muito bom…..
Tive um prazer profundo em estudar, pesquisar , refletir, dialogá-lo com outros autores que conhecia e conseguimos além de fazer um teatro de arena, com cenário, artefatos que tinham tudo a ver com o tempo histórico e a vida desse autor….
Foi uma noite mágica, a tal professora parecia encantada, assim como os colegas, pois além desse autor ser genial, fundamental, a forma de apresentação ficou impactante….
Ela me pediu uma cópia do Power point, mas era desnecessário, pois todo trabalho que apresentava, ás vezes na mesma noite já enviava a todos da turma…..
Como disse anteriormente, nesse trabalho vieram muitos mestrandos de outras turmas e, veio uma pessoa que fazia disciplinas aos sábados, inclusive com essa professora.
No sábado seguinte a esse trabalho, essa professora, talvez entusiasmada com a apresentação daquele dia, apresentou o mesmo seminário nessa turma, modificando o Power point, retirando nomes, algumas ilustrações fortes e de fundo sexual que colocamos (pois o autor abordava muito a sexualidade) e claro, sem usar as ferramentas cênicas que usamos; terminou a apresentação, com os alunos daquela turma de sábado gostando muito e foi até aplaudida…..
Essa pessoa que assistira ao trabalho , dias antes, pediu a palavra e disse; – Professora esse trabalho não é de autoria do Hércoles Jaci e equipe?
Ela. com o pouco de “sem graçeza” que resta a uma pessoa com caráter deficiente; engoliu seco, pediu desculpas e disse que tinha se esquecido de dar os créditos à tal equipe…….
Soube do caso, e, como é do meu jeito, fui falar com ela, que desconversou e não pude levar adiante..Ficou por isso mesmo….
Mais e mais decepções aconteceram com essa professora; que mostrariam seu nível de inconsciência de si, da vida; das pessoas, que para ela, são um adereço de mão….Depois soube, que ela contra indicava meu nome em várias oportunidades de trabalho, posto que , no meu olhar; eu a “denunciara” de alguma forma em seu “costume” de expropriar trabalhos de alunos…..
Nunca mais me chamou para ministrar aulas na pós que coordenava, mesmo que eu tenha tido uma avaliação dos alunos de 95% ótima…..
Dizem que ainda está com o mesmo “companheiro” mau caráter……..
“Gambás se cheiram”
Outros desapontamentos ainda marcariam meu mestrado com colegas, que eu adorava receber em minha casa e como traíras da estirpe de Joaquim Silvério dos Reis e Judas (como conta a história) me decepcionaram profundamente.
Outras professoras; que eu tinha em alta conta, assoberbadas pelo ego acadêmico e pelo trator competitivo que ali grassava , também tentaram tirar o “brilho” que eu hoje guardo como memória…
Chegou o dia da apresentação do meu trabalho final, a defesa da dissertação; onde foram mais de 80 pessoas; sempre fui rodeado de amigos e amigas…..
E isso para alguns é terrível…..
Até nesse dia, que é o marco de muito trabalho; escrever um trabalho científico é árduo, toma muito tempo, pesquisa, dedicação; entrega; debruçar; até nesse dia, uma professora, que estava na minha banca, que eu admirava, mas, como ela tinha uma “pinimba” ( como tem no mundo acadêmico!) com minha orientadora (que era ótima); ela tentou nublar o sol da apresentação…
Um mestrando quando apresenta seu trabalho final, o nome do orientador também está sendo avaliado…
Como minha orientadora estava investigando ( era uma comissão instalada na faculdade) uma arbitrariedade que essa professora havia cometido ( aliás algo muito feio, como fez a outra comigo, expropriar trabalho de aluno); ela quis se vingar dela, atingindo-me;…
Mas como eram 4 na banca, ela ficou só na sua vingança cega……
Uma das doutoras que participaram da minha banca, que, alguns anos mais tarde fui encontrar num evento e veio me cumprimentar e, papo vai, papo vem, ela contou que, na reunião secreta onde decidem, depois da apresentação do mestrando, a forma como aprovam ou não o trabalho apresentado; essa tal professora em litígio com minha orientadora, tentou de várias formas aprovar o trabalho desde que fosse com restrições, posto que as outras 3 estavam aprovando com louvor..
Ela pensou que essa professora tinha algo contra mim quando fui aluno dela durante os créditos e eu contei que, pelo contário, dávamos nos muito bem e fui um aluno que ela sempre reconhecia….
E contei -lhe o fato da briga com a orientadora; no que ela pôde entender tamanha hostilidade….Comum no mundo acadêmico; lugar de poucos, muitos poucos amigos…..
Não permito que tantas histórias desagradáveis, típicas de um ser humano identificado com uma sociedade hipócrita, competitiva, desleal, fria e “trator” atrapalhem a experiência bonita e rica que tive no mestrado……..
Eu gostei muito de tê-lo cursado.
Privilegio dentro de mim, o positivo ocorrido……
E foram muitos……..
Depois, fui lecionar em algumas pós e fiquei muito decepcionado; professores frios, competitivos, alunos desrespeitosos, arrogantes\burros (uma combinação pior que nitroglicerina); coordenadores “pau-mandados” de instituições que só visam o lucro a qualquer modo, onde a sacralidade acadêmica não tem lugar…
É só discurso…..
Aliás, umas das melhores coisas que me aconteceram em meu Mestrado foi conhecer a “Análise do Discurso”..
Quando resolvi trabalhar com ela em minha dissertação fui desaconselhado, pois não teria ninguém por perto para me orientar…
Mas minha orientadora, que foi um presente; me disse. – Há muito material para estudar sobre isso, mas vc não tem sido um psicólogo nos últimos 26 anos? E o que um psicólogo de consultório, principalmente, não faz, a não ser uma boa análise do discurso?
Enfiei a cara, li tudo que tinha; debrucei completamente nisso e penso que fiz um ótimo trabalho que clareou minha vida….
Durante muito tempo em minha trajetória profissional trabalhei com leitura corporal; ministrei cursos e formações…..
O estudo da análise do discurso trouxe fala ao corpo….
Uma fala que descrevia uma intenção profunda…..
Uma das assertivas que mais me “puxaram” para estudar essa técnica; foi uma frase de um dos mais brilhantes autores-Balalai- dessa seara:- “A análise do discurso é um processo de desmascaramento da palavra, numa busca da verdade (intencionalidade) que se esconde atrás dela, numa denúncia do não dito”.
Ao trabalhar com mestrandos e doutorandos, ou já doutores e mestres no consultório, quase sempre algum (a) deles (as) me relatam passagens nas quais essas perversidades humanas orquestradas por um frenesi competitivo; acontecem com uma frequência maior que gostaríamos….
Já ouvi relatos de situações vividas no mundo “acadêmico” que os meus parecem contos da Carochinha…….
No texto abaixo, Rosana Pinheiro Machado, discute e reflete como essa vaidade “trator”; essa verdade despótica ainda marca o mundo acadêmico, onde a ABNT é mais branda e humana que os corações acadêmicos, que se acham “PHODAS”, até que um dia a vida vem contar que não é bem assim..

Hércoles Jaci- psicólogo clínico formado em 1980, Mestre em Gestão e Organização ( Psicologia do Trabalho) em 2004; Doutor Honoris Causa-OMS- 1996.

Precisamos falar sobre a vaidade na vida acadêmica –

por Rosana Pinheiro Machado – antropóloga- Doutora\livre docente-Oxfordimage001

“A vaidade intelectual marca a vida acadêmica. Por trás do ego inflado, há uma máquina nefasta, marcada por brigas de núcleos, seitas, grosserias, humilhações, assédios, concursos e seleções fraudulentas. Mas em que medida nós mesmos não estamos perpetuando esse modus operandi para sobreviver no sistema? Poderíamos começar esse exercício auto reflexivo nos perguntando: estamos dividindo nossos colegas entre os “fracos” (ou os medíocres) e os “fodas” (“o cara é bom”).
As fronteiras entre fracos e ‘fodas’ começam nas bolsas de iniciação científica da graduação. No novo status de bolsista, o aluno começa a mudar a sua linguagem. Sem discernimento, brigas de orientadores são reproduzidas. Há brigas de todos os tipos: pessoais (aquele casal que se pegava nos anos 1970 e até hoje briga nos corredores), teóricas (marxistas para cá; weberianos para lá) e disciplinares (antropólogos que acham sociólogos rasos generalistas, na mesma proporção em que sociólogos acham antropólogos bichos estranhos que falam de si mesmos).
A entrada no mestrado, no doutorado e a volta do doutorado sanduíches vão demarcando novos status, o que se alia a uma fase da vida em que mudar o mundo já não é tão importante quanto publicar um artigo em revista qualis A1 (que quase ninguém vai ler).
Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, dizíamos que quando alguém entrava no mestrado, trocava a mochila por pasta de couro. A linguagem, a vestimenta e o ethos mudam gradualmente. E essa mudança pode ser positiva, desde que acompanhada por maior crítica ao sistema e maior autocrítica – e não o contrário.
A formação de um acadêmico passa por uma verdadeira batalha interna em que ele precisa ser um gênio. As consequências dessa postura podem ser trágicas, desdobrando-se em dois possíveis cenários igualmente predadores: a destruição do colega e a destruição de si próprio.
O primeiro cenário engloba vários tipos de pessoas (1) aqueles que migraram para uma área completamente diferente na pós-graduação; (2) os que retornaram à academia depois de um longo tempo; (3) os alunos de origem menos privilegiada; (4) ou que têm a autoestima baixa ou são tímidos. Há uma grande chance destas pessoas serem trituradas por não dominarem o ethos local e tachadas de “fracos”.
Os seminários e as exposições orais são marcados pela performance: coloca-se a mão no queixo, descabela-se um pouco, olha-se para cima, faz-se um silêncio charmoso acompanhado por um impactante “ãaaahhh”, que geralmente termina com um “enfim” (que não era, de fato, um “enfim”). Muitos alunos se sentem oprimidos nesse contexto de pouca objetividade da sala de aula. Eles acreditam na genialidade daqueles alunos que dominaram a técnica da exposição de conceitos.
Hoje, como professora, tenho preocupações mais sérias como estes alunos que acreditam que os colegas são brilhantes. Muitos deles desenvolvem depressão, acreditam em sua inferioridade, abandonam o curso e não é raro a tentativa de suicídio como resultado de um ego anulado e destruído em um ambiente de pressão, que deveria ser construtivo e não destrutivo.
Mas o opressor, o “foda”, também sofre. Todo aquele que se acha “bom” sabe que, bem lá no fundo, não é bem assim. Isso pode ser igualmente destrutivo. É comum que uma pessoa que sustentou seu personagem por muitos anos, chegue na hora de escrever e bloqueie.
Imagine a pressão de alguém que acreditou a vida toda que era foda e agora se encontra frente a frente com seu maior inimigo: a folha em branco do Word. É “a hora do vâmo vê”. O aluno não consegue escrever, entra em depressão, o que pode resultar no abandono da tese. Esse aluno também é vítima de um sistema que reproduziu sem saber; é vítima de seu próprio personagem que lhe impõe uma pressão interna brutal.
No fim das contas, não é raro que o “fraco” seja o cavalinho que saiu atrasado e faça seu trabalho com modéstia e sucesso, ao passo que o “foda” não termine o trabalho. Ademais, se lermos o TCC, dissertação ou tese do “fraco” e do “foda”, chegaremos à conclusão de que eles são muito parecidos.
A gradação entre alunos é muito menor do que se imagina. Gênios são raros. Enroladores se multiplicam. Soar inteligente é fácil (é apenas uma técnica e não uma capacidade inata), difícil é ter algo objetivo e relevante socialmente a dizer.
Ser simples e objetivo nem sempre é fácil em uma tradição “inspirada” (para não dizer colonizada) na erudição francesa que, na conjuntura da França, faz todo o sentido, mas não necessariamente no Brasil, onde somos um país composto majoritariamente por pessoas despossuídas de capitais diversos.
É preciso barrar imediatamente este sistema. A função da universidade não é anular egos, mas construí-los. Se não dermos um basta a esse modelo a continuidade desta carreira só piora. Criam-se anti-professores que humilham alunos em sala de aula, reunião de pesquisa e bancas. Anti-professores coagem para serem citados e abusam moral (e até sexualmente) de seus subalternos.
Anti-professores não estimulam o pensamento criativo: por que não Marx e Weber? Anti-professores acreditam em lattes e têm prazer com a possibilidade de dar um parecer anônimo, onde a covardia pode rolar às soltas.
O dono do Foucault
Uma vez, na graduação, aos 19 anos, eu passei dias lendo um texto de Foucault e me arrisquei a fazer comparações. Um professor, que era o dono do Foucault, me disse: “não é assim para citar Foucault”.
Sua atitude antipedagógica, anti-autônoma e anti-criativa, me fez deixar esse autor de lado por muitos anos até o dia em que eu tive que assumir a lecture “Foucault” em meu atual emprego. Corrigindo um ensaio, eu quase disse a um aluno, que fazia um uso superficial do conceito de discurso, “não é bem assim…”.
Seria automático reproduzir os mecanismos que me podaram. É a vingança do oprimido. A única forma de cortamos isso é por meio da autocrítica constante. É preciso apontar superficialidade, mas isso deve ser um convite ao aprofundamento. Esquece-se facilmente que, em uma universidade, o compromisso primordial do professor é pedagógico com seus alunos, e não narcisista consigo mesmo.
Quais os valores que imperam na academia? Precisamos menos de enrolação, frases de efeitos, jogo de palavras, textos longos e desconexos, frases imensas, “donos de Foucault”. Se quisermos que o conhecimento seja um caminho à autonomia, precisamos de mais liberdade, criatividade, objetividade, simplicidade, solidariedade e humildade.
O dia em que eu entendi que a vida acadêmica é composta por trabalho duro e não genialidade, eu tirei um peso imenso de mim. Aprendi a me levar menos a sério. Meus artigos rejeitados e concursos que fiquei entre as últimas colocações não me doem nem um pouquinho. Quando o valor que impera é a genialidade, cria-se uma “ilusão autobiográfica” linear e coerente, em que o fracasso é colocado embaixo do tapete. É preciso desconstruir o tabu que existe em torno da rejeição.
Como professora, posso afirmar que o número de alunos que choraram em meu escritório é maior do que os que se dizem felizes. A vida acadêmica não precisa ser essa máquina trituradora de pressões múltiplas. Ela pode ser simples, mas isso só acontece quando abandonamos o mito da genialidade, cortamos as seitas acadêmicas e construímos alianças colaborativas.
Nós mesmos criamos a nossa trajetória. Em um mundo em que invejas andam às soltas em um sistema de aparências, é preciso acreditar na honestidade e na seriedade que reside em nossas pesquisas.
Transformação
Tudo depende em quem queremos nos espelhar. A perversidade dos pequenos poderes é apenas uma parte da história. Minha própria trajetória como aluna foi marcada por orientadoras e orientadores generosos que me deram liberdade única e nunca me pediram nada em troca.
Assim como conheci muitos colegas que se tornaram pessoas amargas (e eternamente em busca da fama entre meia dúzia), também tive muitos colegas que hoje possuem uma atitude generosa, engajada e encorajadora em relação aos seus alunos.
Vaidade pessoal, casos de fraude em concursos e seleções de mestrado e doutorado são apenas uma parte da história da academia brasileira. Tem outra parte que versa sobre criatividade e liberdade que nenhum outro lugar do mundo tem igual. E essa criatividade, somada à colaboração, que precisa ser explorada, e não podada.
Hoje, o Brasil tem um dos cenários mais animadores do mundo. Há uma nova geração de cotistas ou bolsistas Prouni e Fies, que veem a universidade com olhos críticos, que desafiam a supremacia das camadas médias brancas que se perpetuavam nas universidades e desconstroem os paradigmas da meritocracia.
Soma-se a isso o frescor político dos corredores das universidades no pós-junho e o movimento feminista que só cresce. Uma geração questionadora da autoridade, cansada dos velhos paradigmas. É para esta geração que eu deixo um apelo: não troquem o sonho de mudar o mundo pela pasta de couro em cima do muro”

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Dezembro- Bem vindo!

Dezembro, você chegou amigo querido????!!!!!! E o ano está acabando; 2015 começa a fazer parte do passado??????!!!!!!!!!!!! Que coisa, Dezembro, toda vez que você chega a gente tem a noção de que o tempo está passando mais rápido do que podemos acompanhar….. Você sempre vem nos mostrar mais sobre a vida, a morte, os nossos afetos, nossas esperanças, sonhos, ilusões, o tão falado e pouco aprendido “tudo passa”; a materialidade ainda vencendo o eterno na cabeça e nos corações dos humanos……Ainda…….Em muitos……image001Você, Dezembro querido é o maior denunciador da força do capitalismo, da fragilidade do contato do essencial em nós, entre nós….. Alertando-nos!!!!!
Dezembro, mesmo que a data do nascimento de Jesus no ventre do seu mês seja inventada; mesmo assim, mesmo sem fé: sob um olhar histórico, Jesus sempre será um divisor de águas e terras nessa humanidade tão carente do que Ele representa, do que foi -É- esse PROFETA. Da Sua capacidade de amar, perdoar, aceitar, transgredir no mais lindo que essa palavra possa resplandecer…..Como uma Estrela…….Em seu mês, Dezembro; as Estrelas estão em todas as partes; simbolizando uma GUIANÇA (estamos tão perdidos….). Essas estrelas só podem ter a função orientadora como na História dos 3 Reis Magos, que, movidos pelo amor e pela preservação de um PROFETA, em profunda conexão com o Cosmos- que O enviou- seguiram uma estrela, até onde Ele havia nascido, de maneira simples e essencial. Cuidaram para que Sua vida fosse preservada; levaram-Lhe presentes, com simbolismos caros; saudando a PRESENÇA…….Como acontece com os homens, confundiram tudo e os presentes se perpeturaram sem presença; a imaterialidade deles costuma ser vazia…..
Infelizmente, Dezembro querido, nós seres humanos, tendemos, pela invasão de defeitos e dificuldades, em modificar, em confundir e em aceitar a alegoria como significado real e para muitos o Natal, tão profundo, seu dia mais lindo, mês abençoado, às vezes é resumido por um idiota Ho..Ho..Ho…..
Será que o Natal pode nos ajudar a começar um processo de cura da idiotice, da ignorância ????? Marcando nossa presença; conectando-nos com a PRESENÇA.
O Natal é tão pleno de significados…….Tantos……A própria palavra que significa NASCER……A história de um casal- lindo e abençoado casal- que num contexto bélico, perseguidor, desumanizado; faz de tudo para dar à luz à sua cria, bendita cria……Dar à luz para à LUZ………
Dezembro, bem vindo, querido, é muito forte e transformador o que você nos traz, mesmo que seja dolorido, indiferente, equivocado, oportuno para muitos; mas é mágico, contemplativo, transformador, alentador para tantos…….
Eu sempre confio, mesmo quando a mesma energia perseguidora, belicosa, interesseira que pairava quando Jesus nasceu, insiste em se insinuar no contemporâneo……..Conecto-me com a ENERGIA que O fez nascer, crescer e que nem a morte impiedosa impediu ou impede D’Ele agir…….
Dezembro, grato por nos recordar da Essência da vida!!!! Grato por ser fim\início de um ciclo…….E nós, com a alma esperançosa, ansiamos pelo MELHOR……….
Meu abraço MELHOR em todos!

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Novembro- Bem Vindo!

image001image001image001image001Bem Vindo Novembro!!!!!!!!
Novembro é o décimo primeiro mês do ano no calendário gregoriano, tendo a duração de 30 dias.
Novembro deve o seu nome à palavra latina novem (nove), dado que era o nono mês do calendário romano, que começava em março.
Em seu primeiro dia conclamamos todos os Santos!!!! A palavra santo vem de santé (do francês) que significa são, saúde…..
Que Novembro nos santifique!!! Saúde sempre, em todos os níveis…..
Novembro que vem de 9 mas é um mês 11; tem um dia para nos lembrar e honrar quem findou sua trajetória nesse plano que ainda estamos- os finados……Nossas honrarias a aqueles que se foram e deixaram saudades, lembranças, memórias , rastros…….
Novembro marca a Proclamação da República ( e que república, heim???) e o dia da Bandeira (que bandeira!!!!!?-Ordem e Progresso- onde estão que não os vemos?)…
E dia 20 temos o recém feriado ( em BH não é )- dia da Consciência Negra…….Ainda bem que tem o dia, mas as atitudes inclusivas urgem…….
Em Novembro percebemos mais claramente que o ano está terminando porque quando chega dezembro é tanta correria que o crepúsculo do ano passa meio batido……
Em Novembro pode vir uma sensação de :- Mais um Natal? – Mais um réveillon??? As mesmas coisas, os mesmo rituais, as mesmas esperanças????? Novembro, Graças a Deus, Novembro é para cada um…..E pode ser seu mês, seu momento, nossa hora de fazer\acontecer TUDO INÉDITO……..
Que começando com o dia de todos os Santos, Novembro possa ser privilegiado; nos beneficiando……
Novembro de 2015; primeira vez que É….

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Negação- tamponando a todo custo as evidências

– Não sei do que se trata…….- Desconheço tal pessoa……- Nunca me meti em atos corruptos…….- Nunca soube de nada……- Não recebi e desconheço a origem desse dinheiro…..- Vamos ser firmes para acabar com a corrupção
Tudo isso gera um outro tipo de discurso nos “cúmplices” desse poder dominante: – Isso é invenção da Revista Veja; – Isso é obra da Globo; – Isso é tentativa de golpe dos coxinhas; –Sempre se roubou, por que só agora dão em cima de quem tirou 789% do povo da miséria? ; -Nosso partido colocou pobre em aeroporto e com “eletrodomésticos brancos” até nos barracos e a elite tem raiva.
E dá-lhe argumentações das mais sem sustentações” impossível”, vide conteúdo do discurso da presidenta……
A negação é um mecanismo de defesa descrito por Freud no início do século passado e melhor estudado e compilado por sua filha Anna Freud em 1946, quando publicou um trabalho sobre isso. O que fazer com negadores compulsivos???? …É como se fosse uma “peste emocional” onde se “combina” de serem cegos juntos……Não sei a motivação por trás disso, talvez seja o medo de ver….A verdade, ao longo da história da humanidade, tem sido a “coisa” mais perigosa de se manifestar..Todos que tentaram a VERDADE foram atacados por quem era atingido por esse clareamento, por essa luz; pois a verdade é luz, pura luz, REAL….A negação chega num ponto que se torna esquizoidia, ou seja, cria-se uma realidade paralela; onde até os que enxergam se tornam confusos, por se sentirem sós e estarem enxergando fora do “coro cego”..O Conto mais abaixo, de Andersen, através de uma bela metáfora daquele que tem a ingenuidade saudável\espontaneidade dos que enxergam, representado por um menino nos mostra o óbvio, o real;- para quem quer enxergar- e verdadeiramente abandonar o auto-engano. Esse conto é demonstrativo da nossa realidade política ou de quaisquer agrupamentos humanos onde a verdade é escassa e “produzida”….É; a verdade que acreditamos geralmente é produzida pelo poder dominante e requer de nossa parte grande habilidade e conexão para que continuemos no caminho reto.
Hércoles Jaci

A roupa nova do rei
De Hans Christian Andersen; porém adaptado livremente por Alfredo Braga, mantendo-se a essência do conto….
Era uma vez um Rei que apreciava de tal maneira roupas novas que despendia com elas grandes fortunas. Ele não se importava com as bibliotecas, com as escolas, ou com os museus, a não ser para exibir as suas roupas. Para cada hora do dia vestia uma diferente. Em vez de o povo dizer: Ele está em seu gabinete de trabalho, dizia: Ele está em frente ao espelho no seu quarto de vestir. Mesmo assim a vida cultural era muito movimentada naquele reino que postulava ser de primeiro mundo.
Um dia foram contratados, pela Fundação Cultural do Reino, vários curadores e artistas, e entre eles dois que se apresentavam como estilistas-tecelões e que se gabavam de costurar os mais belos trajes com os mais belos tecidos do mundo. Segundo eles, não só os padrões, as tramas e as cores dos modelos eram belíssimos, mas os tecidos fabricados por eles tinham a infalível virtude de ficarem completamente invisíveis para as pessoas dissimuladas, ou as incompetentes, ou as destituídas de inteligência.
— “Essas roupas com esses tecidos serão maravilhosas.” — pensou o Rei — “Usando-as poderei descobrir quais pessoas são falsas, ou que não estão em condições de ocupar cargos, e então poderei substituí-las por outras… Mandarei que fabriquem muitas peças desse tecido para mim…”
Fez um adiantamento em moedas de ouro para que começassem a trabalhar imediatamente. Os estilistas então encomendaram uma grande quantidade de bobinas e carretéis dos mais caros fios de seda e fios de ouro (que escamotearam sorrateiramente e guardaram em seus baús enquanto simulavam trabalhar nos teares vazios) e começaram a tecer, mas nada havia na urdidura ou nas lançadeiras.
Depois de alguns dias, o Rei estava ansioso e andava de um lado para o outro enquanto procurava se distrair com algum casaco ou chapéu do qual ainda não estivesse muito enjoado, ou que ainda estivesse na moda.
— Eu quero saber como vai indo o trabalho dos tecelões. — dizia o Rei, mas andava vagamente pensativo e preocupado… Ele não tinha propriamente dúvidas sobre a sua honestidade e inteligência, mas achou melhor mandar outra pessoa ver o andamento do trabalho.
Todos na cidade também já tinham ouvido falar no poder maravilhoso do tecido, e cada um estava mais ansioso para saber quem era o mais falacioso e burro entre os seus vizinhos.
— “Mandarei o Primeiro Ministro observar o trabalho dos estilistas-tecelões; ele verá o tecido, pois é inteligente e desempenha as suas funções com perfeição.” — cavilou o Rei.
Mandou chamar o Primeiro Ministro e ordenou que fosse ao salão (onde os dois charlatães simulavam trabalhar nos teares vazios) saber do tecido.
— “Deus me acuda!” — pensou o Primeiro Ministro, arregalando os olhos quando lhe mostraram o tear. — “Não consigo ver nada!” — no entanto teve o cuidado de não dizer isso em voz alta.
Os tecelões o convidaram a aproximar-se para verificar como o padrão da trama estava ficando bonito e apontavam para os teares. O pobre homem apertava a vista o mais que podia, tirava e punha os óculos, mas não conseguiu ver coisa alguma.
— “Céus!” — pensou ele — “Será possível que eu seja tão fingido e incompetente? Bem, ninguém deverá saber disto e não contarei a ninguém que não vi o tecido.”
— Vossa Excelência nada disse sobre o tecido… — queixou-se um dos estilistas.
— Ah, sim. É muito bonito. É encantador! — respondeu o Primeiro Ministro, limpando os óculos com um lenço de cambraia de linho — O padrão é lindo e as cores são de muito bom gosto. Direi ao Rei que me agradou muito.
— Estamos encantados com a vossa opinião, Senhor Primeiro Ministro. — responderam os dois ao mesmo tempo, e iam descrevendo as cores e a trama especial daquele pano tão caro. O Primeiro Ministro prestou muita atenção a tudo o que diziam para poder depois repetir diante do Rei.
Os estilistas pediram mais dinheiro, mais seda e mais ouro para prosseguir com o trabalho e, como das outras vezes, puseram tudo em seus baús e continuaram fingindo que teciam.
Poucos dias depois o Rei enviou o Ministro da Cultura e das Artes para olhar o trabalho e saber quando ficaria pronto. Aconteceu-lhe como ao Primeiro Ministro: Olhou, olhou, tornou a olhar, mas só via os teares vazios.
— Não é lindo o tecido? — indagavam os tecelões, e davam-lhe as mais variadas explicações sobre a trama, o padrão, os brilhos, as cores.
— “Eu penso que não sou muito desonesto…” — refletiu o Ministro da Cultura e das Artes — “e nem estúpido… Se fosse assim, não teria chegado à altura do cargo que ocupo… Que coisa estranha!…”
Pôs-se então a elogiar as cores e o desenho, e mais tarde, não só como Ministro mas como Curador de exposições de artistas e fotógrafos, comunicou ao Rei:
— É um trabalho sublime… em seus aspectos de não concretude material… hã… uma obra-prima em sua fundamentalidade semântica… e visualidade sígnica… hã… o imagético e o invisível se fundem num todo de… hã… expectativas estético-formais… neste simulacro crítico… se percebe a função… hã… as funções, semióticas… da transcendente imaterialidade da arte…
E já completamente tomado:
— Assim, neste procedimento referencial do não-objeto… hã… em sua virtual vacuidade… o deslocamento do olhar… em sua intensa… hã… re-significação… a obscurecer ao limite extremo… toda e qualquer possibilidade de reflexão perceptiva… hã… insere-se nesta vertiginosa… pós-modernidade… hã… Mas, por outro lado… o discurso estético… das poéticas da segunda metade do século XX … hã…
O Rei teve de o interromper:
— Está bem, já compreendi.
A cidade inteira só falava nesse deslumbrante tecido, de modo que o Rei resolveu vê-lo enquanto estava nos teares. Acompanhado por um grupo de cortesões e cortesãs, entre os quais os Ministros que já tinham ido ver o prodigioso pano, e curadores e artistas convidados, lá foi ele visitar os ardilosos tecelões. Eles estavam trabalhando mais do que nunca nos teares vazios.
— Veja, Vossa Alteza Real, que delicadeza de desenho! Que combinação de cores! — balbuciavam os altos funcionários do Rei enquanto apontavam para os teares vazios e os curadores desenvolviam os seus discursos. — Ofuscante… Estonteante… — suspiravam as cortesãs.
O Rei, que nada via, preocupado pensou: — “Serei eu o único cretino e não estarei em condições de ser o Rei? Nada pior do que isto poderia me acontecer!” — então, em alto e bom tom, declarou:
— Muito bom! Realmente merece a minha aprovação!
Por nada deste mundo ia confessar que não tinha visto coisa alguma. Todos aqueles que o acompanhavam também não conseguiam ver o tecido, mas exclamavam em prolongados murmúrios:
— Oh! Deslumbrante… Magnífico… — e aconselharam ao Rei que usasse a roupa nova por ocasião da parada anual que ia se realizar daí a alguns dias. O Rei até concedeu a cada tecelão-estilista a famosa Comenda das Artes e o nobre título de Cavaleiro Estilista-Tecelão.
Na noite que precedeu o desfile, os charlatães tecelões fizeram serão. Iam acendendo todas as lâmpadas do atelier para que todos pensassem que estavam trabalhando à noite para aprontar os trajes do Rei. Fingiam tirar o tecido dos teares, cortavam a roupa no ar com um par de tesouras muito grandes e coseram-na com agulhas sem linha. Na manhã do dia seguinte disseram:
— Agora, a roupa do Rei está pronta.
Sua Majestade, acompanhado dos cortesões, veio provar a roupa nova. Os estilistas embusteiros fingiam segurar alguma coisa e diziam:
— Aqui estão as calças, aqui está o casaco e aqui o manto. Estão leves como teias de aranhas; até parece que não há nada cobrindo o Rei, mas aí é que está a rara e fina qualidade deste modelo e deste tecido.
— Sim! — concordaram todos, embora nada estivessem vendo.
— Poderia Vossa Majestade despir-se? — pediram os impostores. — Assim poderemos vestir-lhe a roupa nova.
O Rei despiu-se e eles fingiram vestir-lhe peça por peça. Sua Alteza Real virava-se para lá e para cá, olhando-se ao espelho (vendo sempre a redonda imagem de seu corpo nu).
— Oh! Como lhe assentou bem o novo traje, Alteza! Que lindas cores! Que bonito padrão! — diziam todos com medo de caírem no ridículo e perderem os altos cargos se descobrissem que não viam nada. Entretanto o Mestre de Cerimônias anunciou:
— A carruagem está esperando para conduzir Vossa Majestade.
— Estou quase pronto. — respondeu o Rei.
Mais uma vez virou-se solenemente em frente ao espelho, com o rosto erguido sobre o ombro, numa atitude de quem está mesmo apreciando alguma coisa.
Os pagens que iam segurar a cauda do manto, inclinaram-se como se fossem levantá-la e foram caminhando com as mãos à frente, sem dar a perceber que não estavam vendo roupa alguma. Durante o desfile o Rei ia caminhando cheio de pompa à frente da carruagem. O povo nas calçadas e nas janelas, também não querendo passar por tolo, ou mentiroso, exclamava:
— Que caimento tem a roupa do Rei! Que manto majestoso! E que brilhante tecido!
Nenhuma roupa do Rei jamais recebera tantos elogios! Entretanto um menino que estava entre a multidão, achou aquilo tudo muito estranho e disse:
— Coitado do Rei… Está nu!
Os homens e as mulheres do povo, conhecendo que o menino não era nem falso e nem tolo, começaram a murmurar… e logo a seguir, como numa onda, em altos brados repetiam:
— O Rei está nu! O Rei está nu!
O Rei, ao ouvir aquelas vozes do povo, ficou furioso por estar tão ridículo! O desfile entretanto devia prosseguir, de modo que se manteve imperturbável e os pagens continuavam a segurar-lhe a cauda invisível.
Depois que tudo terminou ele voltou ao Castelo Real de onde nunca mais pretendia sair. Mas, como sempre acontece, uma semana depois o povo já havia esquecido o escândalo, e os funcionários do reino seguiam como se nada houvesse acontecido: Os cargos continuavam a ser distribuídos entre as mesmas duas ou três famílias e seus agregados; os impostos sonegados; o desvio de verbas continuava em alta, enfim, tudo voltou ao normal.
Quanto aos dois estilistas-tecelões, desapareceram misteriosamente levando o dinheiro, os fios de seda e o ouro. Meses depois um viajante contou que eles haviam pregado o mesmo golpe em outro pequeno reino, onde os cidadãos também andavam de nariz empinado, cheios de soberba e afeitos às pequenas e às grandes hipocrisias.

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